OS PADRÕES NOSSOS DE CADA DIA*

terça-feira, 1 de setembro de 2009

“Pense, fale, come, beba, leia, vote, não se esqueça...” (Pity – Admirável chip Novo).

Tempos desses um amigo meu me pergunto: - magrelo, porque você não compra a bermuda X, tá todo mundo usando, tá na moda! Então respondi: - só por que todo mundo usa, eu sou obrigado a usar? Se tiver na moda comer merda, terei que comer?

Todo mundo diz que é diferente, contudo, a maioria age igual! Toda vez que pergunto a alguém, o porquê dessa obrigatoriedade de pensar, agir, fazer tudo igual, sempre me respondem, “é para que eu seja aceito”.

Acredito que a resposta certa seria, “para que eu seja TOLERADO”. Tolerar e aceitar tem os mesmos sinônimos, porém, o segundo possui dentre seus significados os ACOLHER E RECEBER, quanto o primeiro tem DEIXAR PASSAR, ADMITIR.

Não se pode dizer que está “dentro dos padrões” seja acolhido ou recebido. Quem pensa diferente muitas das vezes provoca controvérsias e polêmicas, o que é extremamente proibido nesses tempos. Apesar de vivermos na sociedade dita “informação”, os pensamentos vêm enlatados, formulados e prontos ao consumo sem qualquer tipo de mastigação.

Exemplo disso é a atual grade de programação das TVS abertas; como já bem diz os Titãs, “a televisão me deixou burro demais”. Percebam o quanto proliferou esses “shows de realidade”; BBB, A Fazenda, Super Nani, Troca de Família, e afins já são parte significativa da programação. Programas interessantes como o Sem Censura, Roda Viva, Canal Livre e afins estão cada vez mais espremidos e em horários nada convidativos.

Tempos desses na fila do banco me perguntaram, “você viu com tá legal o tá na roça?”. Não assisto isso, respondi. Não acredito! O sujeito me olhou como se eu fosse um E.T, e completou: A Fazenda é o melhor da programação da Record!

Outro exemplo de como as vezes me acho um E.T, é quando estou conversando sobre alguma coisa relevante com alguns amigos em algum bar, e as pessoas começam a se aproximar para ouvir o que estamos falando. De repente já tem um monte de gente participando do assunto, e ao final, sempre tem algum que pergunta: - você é professor? Ou: vocês são formados em quê?

Fico impressionado com essas perguntas, o quanto grande parte da população, pobre, classe média, rica, está sem argumento, sem percepção de dia-a-dia, e o quanto gasta seu tempo dando valor a coisas fúteis. Não é preciso ser formado para ter visão de mundo! Como sempre digo, gosto do Chaves, Chapolim, de futebol, mas não concentro meu tempo nem meu tico-teco em entretenimento (como o próprio nome sugere, “passatempo, distração, recreação”).

Outra questão e que já virou tema recorrente em meus blogs, são os padrões de beleza. O quanto às pessoas estão preocupadas com o externo e deixando de lado as suas questões internas. Possuo alguns amigos que são obcecados por academia, produtos de beleza, roupas... Legal quem se cuida, todavia, deve haver um limite, principalmente no que concerne a relação com o outro. Relacionamentos e amizades definidas por padrões estéticos e financeiros. Talvez por isso esse mar de solitários, que tem uma vida sexual agitada, mas o coração destroçado.

Já passou da hora de tentarmos ser nós mesmos! Viva a diferença! Que é o que nos faz seres únicos e tão interessantes.

* Esse texto tem nada haver com o título, mas fica aqui para ser comentado. Ultimamente, ando numa crise de criatividade monstra! (já devem ter percebido). Desculpe-me pela ausência em seus blogs e pela qualidade dos meus atuais textos, prometo-lhes que melhorarei.

EXTRA:

Tem texto meu no Só Pensando.

Comments

12 Responses to “OS PADRÕES NOSSOS DE CADA DIA*”
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exoticlic.com disse...

oie friend sabe eu ja sofri mto preconceito pelo meu estilo, piercings tatoo, roupas pretas, crucifixo, pentagrama pra tu ter uma idéia aqui nas redondezas meu apelido é voodoo
=/

mas tu acha que vou mudar por um bando de FDP?

não eu me sinto bem assim to a 7 anos com este estilo minha familia agora parece aceitar.

escolhi trampar com net e pc e largar a enfermagem, acredito em milagres, joguei fora a religião pra viver na filosofia pnl e lda

sou sensitiva tipo qualquer pessoa que me foque seja por foto, voz ou ao vivo e a cores e passo sentir a emoção dela mas em outro patamar mais analitico sabe...

meio bizarra mas oh foda-se!

eu tbm mantenho um peso meio surreal 40kg pra 1,66
mas eu tive anorexia quase morri com 30kg em 2006

é foda isso já é uma coisa que eu não supero e queria mudar

1 de setembro de 2009 08:56
Iara disse...

Não mal nenhum e nao significa que nao presta um programa realitie show, na verdade é uma otima oportunidade para voce ver o comportamento das pessoas frente a determinadas coisas, voce pode comparar com o seu.
Programas como canal livre e roda vida há anos sao explorados e tendenciosos, nao se engane achando que por tras de um jornalista de idade ou de um canal sem popularidade, nao existe mutreta.
Até uma bola pode ser prejudicial a uma criança se nao usada com devido jeito.
da mesma forma é a tv.

Como voce pode criticar algo que voce nao acompanha e nao gosta?? isso discriminação, se faz com a tv, faz com uma pessoa também.

1 de setembro de 2009 11:23

Daniel,

Digamos que sou racional ou ao menos procuro ser nesta questão.

Não vejo mérito algum em sair por aí vestida de uma forma que agrida por agredir a sociedade, até porque, não é com meu exterior que penso fazer a diferença.

Desta forma, no dia-a-dia passo batido. É legal porque ando com itens caros no dia e se fosse assaltada seria um preju, mas acho que pela forma de me portar os malandros acabam não percebendo.

Na época da facu cheguei a ter cabelo punk, raspado de um lado, com desenhos afros no couro cabeludo e uma trancinha fininha e comprida. Figuraça! rsrs

Mentalmente também não faço a menor questão de ficar exibindo-me. Ao contrário. Não perco tempo jogando pérolas a porcos. Se estou com burros, ajo como burra e pronto!

No geral, prefiro guardar minhas opiniões sinceras e reais. Não é ser falsa porque nunca digo concordar com algo que não concordo ou adorar algo que detesto, apenas evito entrar em confrontos sem sentido e que nada me acrescentarão e expresso opiniões genéricas que nada dizem.

Agora, se estou próxima a pessoa ou pessoas que me interessam e que me desafiam, aí sim: pavão é pouco. rs

Isto para mim é ser eu mesma: reservar-me o direito de mostrar-me apenas aqueles que desejo que vejam-me.

Beijos

1 de setembro de 2009 14:49

Daniel,

A diferença é que você tem personalidade.

Adorei o texto!

Noite de luz.

Rebeca

-

1 de setembro de 2009 17:10
Silvana Alves disse...

a tv me deixou burra (titãs)

tem uma outra tbém: a maior imbecibilidade humana, foi a invenção da tv.

adorei o texto!!!

chega de padrões e rótulos... vamos ser nós mesmos....
bjos

1 de setembro de 2009 17:47
Neto disse...

Relacionamentos e amizades definidas por padrões estéticos e financeiros...

Michael Jackson também começou assim e deu no que deu. E com a diferença absurda de que ele, ao menos, tinha 'talento'. Já esses pobres morimbundos...

Show de bola esse texto. Daniel, nós dois temos pensamentos parecidos. Eu também estou de SakuXeio da mesmice dessa gente burra.

Pessoas que gostam de baboseiras inutéis, que não lhes agrega nenhum valor moral e pessoal, e depois tentam se justificar. Essa gente, em sua histórica caminhada, tem o forte interesse em 'saber da vida alheia' e de se compararem com os outros. É aquela história de que: "olha, a casa do vizinho é melhor que a minha (preciso ajeitar a minha)'... 'olha ela tá de roupa nova (ah! também vou comprar uma!)... E tá de perfume novo (ah! não vai me passar pra trás não!)...

É um sem fim de justificativas idiotas e de comparações bobas que caem nessa armadilha da mídia do 'corpo perfeito, beleza estupenda, glamour, e da felicidade enlatada em geral'.

Conheci uns carinhas que diziam que pra estar na 'mídia' (por cima) tinha que botar 'perfuminho'. Imagine...

Tenho desprezo pelo 'maria vai com as outras' e, certas vezes, tenho pena também. Sei que são pessoas fracas, que não se dão ao valor, e não raciocinam se o que fazem é relativamente honesto com seus princípios. Se deixam levar pela primeira 'onda' que aparece até que, mais tarde, o seu barco vire e descubram que não sabiam nadar. É um fim triste.

Se ser diferente é ser o oposto disso aí, então, sou diferente. E sou com muito prazer.

Não é preciso ser formado para ter visão de mundo!

O que falta para esses 'alienados' é interesse. Interesse para aprender o que é melhor. Só isso.

Estou do teu lado. Parabéns pelo que escreveu.

1 de setembro de 2009 18:00
Ademilson disse...

Olá, daniel!

Primeiramente, quero agradecê-lo pela sua visita ao meu blog. Espero que tenha gostado.

Acho que a TV, na forma que está sendo conduzida hoje, com programações fúteis e notícias maquiadas, está baixando o nível do QI das pessoas.

Talvez, para as emissoras e para o governo, o objetivo seja este mesmo: consumidores e eleitores ignorantes.

Abraço

2 de setembro de 2009 06:04

bom blogue
a Revista Antimatéria é seu seguidor
http://www.revistaantimateria.blogspot.com
abraços

3 de setembro de 2009 15:00

Não é só você que tem passado por crises.... rs
A minha mais recente é com meu tempo e com a net aqui de casa, mas tudo bem!
Enfim, padrões, padrões, padrões...
eles são um saco, rotulam as pessoas em "tribos", fazem com que os memebros das "tribos" se vistam iguais e cometam maluquices.
Os adolescentes são grandes vítimas disso. Enfim...
Gostei do texto.

....

“a televisão me deixou burro demais”.

....

Postei agorinha no "so-pensando". A net me obrigou a fazer isso e ainda a mudar o fim de meu texto.
Beijossss

4 de setembro de 2009 19:32

Daniel, eu tb sou uma E.T...Me sinto assim tb. Infelizmente é o rumo de nosso país...

Estou ficando até tolerancia000000000000000

Bjo

4 de setembro de 2009 22:13
Lugirão disse...

Daniel, ontem mesmo estava reunida com um grupo e tinha um tv por lá, vc acredita que na hora que começou essa tal novela das indias , algo assim, algumas pessoas deixaram o grupo para ver... e quando digo que não assisto novela , todos me olham como se eu fosse de outro planeta.

Como assim ? Não assiste novela?

E essa história de usar o que todos usam, fazer o que todos fazem, nunca colou comigo.

Bom fim de semana.

5 de setembro de 2009 07:38
Jairo Souza disse...

Realmente Daniel a alienação da população é monstra! Mas não costumo me sentir um E.T. Não, pois procuro me cercar de pessoas q supervalorizam o saber, acho essencial para o crescimento da mente e do espírito!

5 de setembro de 2009 19:46