VAMPIRISMO TELEVISIVO

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Escrevendo em casa, no domingo à noite, com a TV ligada, ouço o apresentador do BBB (Big Brother Brasil) dizer que 51 milhões de pessoas já haviam votado no paredão. Ele chamou esse número de espetacular e disse que estava surpreso.

De fato. É uma grande surpresa saber que 51 milhões de pessoas, ou seja, 212 vezes a população de Boa Vista, ligaram para votar no paredão do BBB. Ou seja, uma multidão de olho no “buraco da fechadura” de desocupados de luxo que disputam o valor de 1 milhão de reais.

O que leva as pessoas a ficarem ligadas na “nave Big Brother” e ainda gastar tempo e dinheiro em ligações interurbanas para votar a fim de eliminar o candidato indesejado?

Vamos eliminar a opção “falta do que fazer”, porque todo mundo tem direito ao lazer e ao ócio, se assim desejar. A outra opção seria o vampirismo da TV que mordeu o pescoço das pessoas as transformando em zumbis.

Mas há ainda outra opção: uma doença moderna ainda não identificada pelos cientistas de se ver e se identificar nesses programas de TV em que vale tudo para ficar famoso nem que seja por um instante, com a possibilidade de ganhar 1 milhão de reais mentindo, dissimulando, traindo, fofocando e ainda enganando o público.

O BBB é a síntese do que pode existir de superficial nesse mundo que sofre de “crise do materialismo”: aparências, modismo, desfaçatez, viver a vida na moleza sem trabalhar e sede de virar estrela, capa de revista erótica ou coisa parecida.

Ligar para indicar o paredão é uma forma que as pessoas acham para estar envolvidas nesse mundo de algum jeito. Se não podem ser um “brother” ou uma “sister”, então ligar mata um pouco a sede de querer ser um malandro televisivo, já que as novelas mostram gente rica sem precisar dar duro, sem precisar trabalhar.

As tramas dos BBBs são as mesmas e fúteis, mas ninguém enjoa de dar uma “espiadinha”. Ninguém reclama de crise na hora de gastar dinheiro fazendo ligações. Enquanto pessoas comuns se sentem atraídas por esse jogo, a TV Globo fatura milhões e, em troco, dá uma fração de milhão ao ganhador do jogo.

E o que o povo ganhar com isso? Circo? Lazer? Ganha um reforço em sua mente em se conformar com um mundo superficial, materialista, da vitória do corpo sobre a inteligência, da visão acrítica e da malandragem.

Claro que existem suas exceções. Há gente que assiste o BBB, mas mantém sua visão crítica e não se anula. Mas não há como explicar 51 milhões de pessoas sedentas por paredão, sem acender uma luz crítica na massa cinzenta. Aí é demais.

Autor: Jessé Souza. Articulista - jesse@folhabv.com.br - MSN: jesseroraima@hotmail.com


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Recebi este selo da Naty, cujas regras são:

1. Colocar o logo no seu blog;

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5. Partilhar o carinho, publicando os links deste post e da pessoa de quem você recebeu o prêmio.

Meus eleitos são:

Átila, Neto e Alice

Comments

15 Responses to “VAMPIRISMO TELEVISIVO”
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Ynot Nosirrah disse...

Não há o que contestar. Você está coberto de razão. Bom trabalho.

23 de abril de 2009 20:57
☆ Sandra C. disse...

eu sempre digo que quando as drogas entram, a verdade sai.

nessa linha, um país que dá abertura às 'drogas', como 'bbb', 'melancia' e outros... só pode ter a verdade que tem.

ou seja, POOOOBREEEE!

ai, quero demais ler os posts sobre o Marxismo. eu quero teeeempooo!

23 de abril de 2009 22:10

Daniel,

BBB está mesmo acabado. Só 51 milhões de votos em um paredão daqueles foi uma vergonha. BBB anterior na final foram mais de 75.000.000. Votei tanto que meus dedos estavam doloridos no dia seguinte. Triste de ver esta decadência. Boninho está acabando com nossa alegria. :(

Beijão

24 de abril de 2009 03:58
iara-alencar disse...

Voce adora o BBB, sem ele nao existiria uma boa parcela de ses posts.
:)

24 de abril de 2009 04:47
Luciana Brito disse...

O BBB é a típica população representada por um grupo de pessoas mais abastadas que conseguiram entrar naquela casa. Tudo que se passa lá dentro, acontece aqui, do lado de fora... só que no BBB é mais aparente por ser televisionado.

Enfim, é um produto de alienação, assim como 90% (para ser generosa) do que é transmitido pela televisão aberta.

Ótima crítica a do Jessé, muito bem escrita ^^


Ps. Linkei teu blog lá na Caixa =]


Beijo pra tu.

24 de abril de 2009 05:21
lugirão disse...

Daniel, a Iara pegou pesado, kkkkk, eu vou ficar quieta.

Não assisti a esse BBB, mas nunca gastei um centavo com ligações, mas confesso o meu lado fútil e inútil, assinei o PPV , várias vezes ... mas esse ano não.

Bom fim de semana

24 de abril de 2009 13:57
Neto disse...

O BBB é a síntese do que pode existir de superficial nesse mundo que sofre de “crise do materialismo”: aparências, modismo, desfaçatez, viver a vida na moleza sem trabalhar e sede de virar estrela, capa de revista erótica ou coisa parecida .

Você disse tudo com este parágrafo. E tirando o fato de que não há 51 milhões de mulheres no país (ou há?), que sejam a maioria a assistir a esses 'culturais' programas televisivos da Globo, eu diria que é por causa disso que a educação e a Saúde Pública no Brasil está tão precária. Ninguem se importa com ela e, pelo que vejo, todos a merecem.

Vou perdoar a Neiva dessa vez, mesmo sabendo que seus dedinhos devem estar inchados agora. Bom que, pelo menos, não é a cabeça :)

Abraços, Daniel.
Levei o selo! Obrigado!

24 de abril de 2009 15:10
Tássia Jaeger disse...

Também acho o cúmulo ligar pra votar, mas não vou ser hipócrita a ponto de dizer que eu não via BBB. Via sim, mas ligar não. NUNCA! A televisão brasileira é carante de algo que preste. Quase não vejo tv, exceto o Jornal Hoje, mas via BBB porque eu necessitava de entretenimento. E era um entretenimento que fazia eu opinar, me irritava com o Bial, com a visível manipulação da Globo e com as atitudes dos participantes. Enfim, o BBB e o Pânico são as melhores merdas da tv brasileira. Mas tem uma merda que é inassístivel e me enoja. O programa da Gimenez. Puta que pariu, é bunda pra cá, peito pra lá, gays, lésbicas, prostitutas (ex), atores pornôs, mulheres frutas...que inferno. Prefiro dormir!!!

24 de abril de 2009 18:56
Mayara Borges disse...

Afff, ninguém merece essa porra chamada BBB...

Me perdoa, me perdoa e me perdoaaa... Sou enrolada pra krll pra deixar comentário! Mas eu jah tinha passado por aqui sim! hahahaha...

Como sempre, de PARABÉNS!

Bom fds! Beijos.

24 de abril de 2009 19:14

Neto,

Também desculpo você e Daniel. Entendo que deva ser realmente duro o fato que a alienação de vocês dois (futebol) não desperte a mesma paixão que a nossa. O jogo Corinthians x São Paulo em 13/04 só foi assistido por 5,6 milhões de pessoas. :(

Mas, ó, fiquem tristes não, viu? É só uma ilusão esta contagem de votos do BBB, porque como uma pessoa no BBB vota talvez uns 10 votos, na realidade o futebol foi assistido por mais pessoas do que o BBB.

A única vantagem que o BBB leva sobre o futebol nesta disputa de melhor alienação é só uma: BBB os fanáticos do BBB nunca mataram outros fanáticos, ao contrário dos fanáticos do futebol.

:DDDDDDDDD

Beijos

25 de abril de 2009 04:26
Camilla K. Boyle disse...

Odeio Big Brother... desconfio que a maior parte das pessoas saibam qual a verdadeira origem do termo «Grande Irmão», utilizada em 1984, o livro de George Orwell. O que deve atrair tanto a atenção para esse programazeco é o facto de que, quando as pessoas o vêem, podem colocar de lado sua vida e esquecer seus problemas... pena que desconheçam outras formas de canalizar esse interesse pela vida dos outros... enfim...

Beijos e bom final de semana

25 de abril de 2009 07:17
Daniel disse...

Neiva: Meu bem, cuidado com as suas respostas aqui! No avã de defender seu programa, fez um comentário infeliz. O futebol foi usado como alienação na época da ditadura militar (pra frente Brasil), para mascarar a brutalidade do golpe. De fato que há violência no futebol, todavia, é mínima, caso isolado. Em geral, são pequenas facções de times que não são torcedores, mas sim,bagunceiros travestidos de torcedores. Se considerar futebol como alienação, considere todos os esportes. Violência há em todos os lugares, futebol. O verdadeiro torcedor não mata e não morre, não machuca e não é machucado por ninguém. Futebol é um esporte, e como tal, tem um "fim", ou seja, um objetivo. Assim como voley, basquete, atletismo, possui um fator social (a priori, a mudança social). Ensina espírito de equipe, liderança, companheirismo... O BBB não ensina nada, muito pelo contrário! A mensagem contida no programa é o do "fique rico mentindo e seja famoso pelas vias amorais". Bjus.

25 de abril de 2009 07:51
Philip Rangel disse...

Eu confesso que assisto qndo nao tem nada....tmb nao vejo futuro vendo aquilo e ainda tem gente pra gasta dim dim em um país em crise...Bom cada um tem seu jeito de pensar ne..cabe a nos chamar ateçao aquilo...


Daniel foi mal a demora..mas prefiro as sextas feiras para postar...meu e mail é philipsouza@yahoo.com.br

abraçao

25 de abril de 2009 10:31

Daniel,

Não estou defendendo o BBB. Nem assisti direito este ano. Não dei um único voto. Estou defendendo o direito de ter minha alienação em paz e estou sendo contra a hipocrisia. Porque o futebol pode ser um esporte, mas é alienante da mesma forma que o BBB, rende tanto à Globo quanto e cria celebridades da mesma forma (pior aliás).

O que iguala o futebol ao BBB é justamente a torcida. Não vejo diferença, exceto para pior.

A violência mínima a que você se refere é a de todos os mortos na inglaterra há 20 anos atrás? 96 de uma única vez? Ou dos 22 mortos e 132 feridos em março deste ano na Costa do Marfim ou dos 12 mortos na Nigéria em fevereiro ou de tantos outros, Brasil incluso?

Para quem quiser se inteirar: http://ondeacorujadorme.blogspot.com/2006/10/casos-de-morte-por-causa-da-violncia-no.html

Então, penso que não importa se é um jogo (BBB) ou um esporte (futebol) e sim a forma como é encarado pelas torcidas e nisto o futebol ganha disparado tanto em fanatismo quanto na alienação. No BBB não existe violência.

O fato, Daniel, é que não existe ser humano que seja imune à necessidade de abstração das mazelas do cotidiano. Ninguém consegue estar 100% ligado à realidade o tempo todo. Porque a vida para a maior parte dos seres humanas é dura, fria, difícil.

Então todos nós necessitamos abstrair por alguns momentos. Lendo, ouvindo música, namorando, comprando, vendo a grama crescer, fazendo esportes, acompanhando a tv, seja para uma novela, um jogo de futebol ou um programa como o BBB.

Você gosta de futebol. Outros gostam de BBB. Qual a diferença? Qual o problema?

Neiva

25 de abril de 2009 14:14
Jairo Souza disse...

Ahhh! Falta do que fazer foi eliminada?! ahuahuauah

Pois é Daniel... O que leva nossa população a isso? Guy Debord já dizia em "A sociedade do espetáculo" que o espetáculo se apresenta como a própria sociedade, como uma parte dela como instrumento de unificação!

Acho que é esse o padrão que leva tantas pessoas a se indetificarem com os personagens criados no Big Brother, A pseudo semelhança dessas pessoas com suas vidas!

A aposta de seus sonhos naquelas pessoas, suas frustrações, se sentem um pouco realizados em verem "um deles" conseguir!

Bom texto, acho que você o reescreveria muito melhor destacandto outros pontos e comparaçãoes importantes! Mais enfim, parabenx pela sequ~encia de textos!

26 de abril de 2009 21:32