
Ontem à noite ao ler um texto do Arnaldo Jabor no Pornopolítca, lembrei de um fato que vivi junto com um amigo. A este chamarei de “F”. O texto me fez lembrar do dia em que consolei “F” após o mesmo ter terminado um namoro de cinco anos e é o que contarei a seguir.
A mais ou menos dois anos às 23h00min de uma noite quente de Roraima meu celular tocou e eu atendi já sonado. Aos prantos meu amigo informou que estava em sua casa, bebendo vinho, ouvindo Reginaldo Rossi e pedindo pelo amor de Deus que eu fosse lá. E foi i que fiz! Chegando lá o encontre jogado no chão, agarrado a garrafa numa típica cena de filme.
Ao me ver, “F” levantou-se e me abraçou fortemente... Nunca esquecia o que ele me disse: - Homem é uma porcaria mesmo! Quando apaixonados, já não somos mais donos das rédeas de nossas vidas...
Há mulheres que não compreendem. A “mística” de que “todo homem é safado” muitas das vezes nubla o que é simples. Somos mais pueris do que elas imaginam... Não somos completos sem uma mulher; elas nos formam e nos moldam, transformando homens em Pessoa. Sujeitos “completos”, com a unicidade necessária para sermos companheiros, amantes e amigos.
Nós não estamos preparados para fins de grandes amores. Não é papo de homem, justificando um pensamento. É real! As mulheres se entregam mais facialmente, são mais fieis e preparadas emocionalmente que nós. Em geral, após um término de relacionamento, as mulheres se fecham, não se envolvem com alguém enquanto não estiveram curadas. Homens já vão atrás de outra para esquecer. Ledo engano...
Após quase duas horas conversando sobre o fim do relacionamento (ele, chorando e lamentando – eu, consolando e controlando a bebida), conseguimos restabelecer a normalidade das coisas. Ele foi tomar banho, enquanto fui organizar a mini-bagunça.
Enquanto arrumava as coisas, não pude deixar de sentir a sua solidão. Mulheres, como são competitivas, não conseguem entender a amizade masculina. Nossa amizade transcende a mera companhia. A dor do outro dói em nós. E a dor do meu amigo também era minha...
Naquela época minha solidão era quase física! Por mais que eu “controlasse o calendário sem utilizar as mãos”, não tinha uma mulher pra chamar de minha; confesso que até sentia uma ponta de inveja dele, por sofre por amor... Eu via com tudo aquilo com um halo meio que divino. Sofrer por amor...
Depois da ducha tomada e sala organizada fomos para um puteiro. Se alguém aqui me perguntar o porquê, é simples! Pagamos putas para que elas não existam! (...) – eu sei afirmação machista, mas é a pura verdade. Chegamos as 01h00min da manhã no Contatos. “F” pediu uma garrafa uísque de 12 anos e lá ficamos a apreciar “a vista”; lá pela 03h30min já estávamos bêbados, e ele acompanhado por uma loira, peitos médio empinado e bunda redondinha.
– Magrelo, tenho que dá conta dessa coisinha gostosa aqui!
– Há vontade meu amigo, há vontade! (...).
“F” se despediu de mim e foi para um quarto com a loira, deixando o dinheiro das despesas comigo. Saí de lá cambaleando e pedi um táxi; no meio do caminho, me veio à idéia de ir para outro puteiro “finalizar a noite”. Parei no Zero Grau, um cabaré de 5ª categoria; “contratei” para o serviço uma mulata, cabelo curto escuro, olhos castanhos e bunda empinada de nome Poliana. Fomos para o quarto e aí me veio novamente à solidão. É a pior coisa, esse mix de puta, bebedeira e solidão.
Tiramos à roupa e começamos, ela de quatro e eu ali, nela e a “meia bomba”; goza logo, goza logo, me dizia ela em tom enfurecido. Quando fui mudar de posição, ela levantou-se, e começou a se vestir.
– Ei, paguei você pra gozar!
– E você não gozou!
Poliana terminou de se vestir, saiu batendo a porta e me deixando ali, com o P... na mão! Solidão, bebedeira, puta, não gozo e R$ 30,00 a menos na carteira.. Pagamos as putas para não existir, e elas nos servem sem pena. Puta não gosta do cliente, só do cafetão. Ele a bate, come com força, explora, e assim preenche os seus vazios existenciais.
No outro dia, fui à casa de “F”. Tanto ele quanto eu falamos de nossos infortúnios, por mais que estivéssemos “acompanhados” à noite, estávamos sozinhos. Ele ainda teve mais sorte, pois conseguiu gozar, mas inda sim, seu coração estava em mil pedaços. E eu, solitário e sem dinheiro no bolso desejava encontrar a minha Princesa Encantada...
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